Cerimônias

Fogueira – Memória Ancestral

“Anciões reunidos, fogo da luz da Sabedoria. Palavras… decisões… conclusões… ao longo da noite”. — Jamie Sams, Fogueira do Conselho – em Cartas do Caminho Sagrado.

“Quando a Terra e as leis da Natureza Cósmica e Terrena foram criadas, os anciães da sabedoria fizeram uma roda e as narraram diante de uma fogueira, de modo que todo o fogo gravou na memória todas as leis e o calor da sabedoria dos anciães. Por isso, quando uma fogueira se ascender e um círculo de pessoas se unir em torno do fogo, as leis serão aprendidas novamente no coração humano”. — Kaká Werá Jecupé, em A Terra dos Mil Povos.


Na Roda de Cura, trabalhamos com os quatro elementos, estando o fogo relacionado ao leste, ao espírito, à iluminação, à clareza. Sempre buscamos ter presentes estes elementos nas cerimônias, onde estamos honrando a sabedoria da Natureza da qual também fazemos parte. Os quatro elementos nos conectam, na Roda Medicinal, com o nosso emocional, mental, físico e espiritual, lembrando-nos de que somos capazes de despertar a potencialidade de nosso ser e nos curarmos em todos os níveis.

O fogo é utilizado em várias culturas ao redor do globo terrestre, como um elemento de purificação e transmutação. São cerimônias, ritos, onde a chama incandescente se faz presente trazendo a luz do sagrado a nossos corações.

Obviamente, a “descoberta” do fogo proporcionou um grande salto para a Humanidade e a possibilidade de inovações tecnológicas e de qualidade de vida. A importância do fogo é relacionada à da própria vida. Na mística e espiritualidade das culturas, a vida é possível através do espírito criativo, da centelha que põe tudo em movimento.

Os xamãs huicholes (México) reverenciam a Tatewari, o fogo sagrado, o deus com quem aprendem a curar. Tomam o peyote e buscam no fogo seus ensinamentos. Os nativos norte-americanos também costumam fazer seus conselhos junto à fogueira porque o fogo representa a luz da Sabedoria que os auxiliará na tomada de decisões que afetam toda a tribo. E assim vemos em muitas outras situações, a importância da fogueira como parte da memória ancestral.

A fogueira é um elemento de extrema importância nas culturas nativas. Juntos, o fogo e a madeira do povo-em-pé, as árvores, liberam a memória dos tempos. As árvores carregam a memória da terra e esta informação contida nos anéis de seus troncos são inclusive utilizadas hoje pela ciência, cujo método se chama dendrocronologia. Temos árvores ancestrais, de muitos anos, que dia após dia, vivenciou e presenciou a saga dos ancestrais.

Ao sentarmos na fogueira, ativamos esta memória ancestral, aprendendo com tudo e todos que caminharam sobre o solo da Mãe Terra.

Honremos o Fogo e todas as nossas Relações.

Tatiana Menkaiká

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