Aprender sobre práticas de cura xamânica e resgate de alma tornou-se imperativo para mim. Entrei em contato com Sandra Ingerman, autora de “Resgate da Alma”, através da Foundation for Shamanic Studies. Eu senti fortemente que precisava ter um resgate de alma e informações através de uma jornada orientada sobre a sabedoria que já residia em minha alma. Lembrei-me de outras vidas de ser uma curadora e meu conhecimento de vidas anteriores tornou-se disponível para mim novamente. Eu não apenas reavaliei minha prática de aconselhamento, mas reavaliei minha compreensão dos conceitos de Deus, Espíritos, possibilidades e outras realidades – o significado da vida!

O xamanismo é uma antiga arte de cura, que remonta a pelo menos 40.000 anos e foi usada pela maioria das culturas nativas do mundo. Este método de cura enfatiza que todas as experiências afetam sua alma e que toda cura vem através da alma. Nas culturas xamânicas, o cuidado da alma é extremamente importante. Na verdade, é o aspecto mais importante da cura. Acredita-se que um ser humano é, em primeiro lugar, uma alma tendo uma experiência humana, e não o contrário. Se a alma é cuidada adequadamente ou é curada através do processo de resgate de alma, outras curas podem então se manifestar nos corpos mental, emocional e físico de uma pessoa.

Temos médicos especializados em tudo o que se possa imaginar, exceto especialistas em alma, em nossa cultura ocidental. Para mim, esse cuidado da alma é o elo perdido na cura e deve ser cuidado primeiro. Felizmente, isso está começando a ser entendido em nossa cultura ocidental e mais indivíduos estão procurando pessoas como os xamãs para sua cura.

Xamanicamente falando, todas as coisas são energia. O movimento ou a transmutação da energia é parte da cura da alma, que é ela mesma energia. Em uma cura, o xamã move a energia que não pertence a uma pessoa e a preenche com a energia divina que é a essência da verdadeira alma dessa pessoa. A teoria por trás do resgate de alma é que há perda de alma quando um indivíduo experimenta situações poderosas ou traumáticas.

Através de experiências individuais como algum tipo de trauma, uma pessoa perde parte de si mesmo como um mecanismo de sobrevivência para suportar a dor. Em termos xamânicos, esse processo é chamado de “perda da alma”. Em psicologia, é chamado de “dissociação”. A psicologia não pergunta para onde vai a parte perdida e como se recupera. Na prática do xamanismo, quando um pedaço da alma ou energia sai, ele realmente entra em outra realidade e é apartado da pessoa. Um vazio então existe na alma dessa pessoa. Pense na alma como um quebra-cabeça gigante. Quando você experimenta um trauma, uma peça do quebra-cabeça é perdida, deixando um espaço vazio no quebra-cabeça. Quando esta perda de alma ocorre, um resgate de alma é necessário para restaurar a integridade. Em um processo chamado jornada, um xamã é treinado para entrar em um estado alterado de consciência e viajar para diferentes realidades para encontrar e recuperar as partes da alma perdidas. O xamã, em seguida, literalmente sopra essas partes de volta para o cliente através do coração e do topo da cabeça, restaurando a inteireza para o cliente.

Os vazios criados pela perda da alma podem realmente se encher de energia que é estranha à alma. Isso pode se manifestar em todos os tipos de doenças ou problemas físicos, mentais ou emocionais. De acordo com a definição xamânica, a alma é perfeita e divina, e a vida deve refletir isso. Se uma pessoa não está experimentando a felicidade, ou se há problemas físicos, emocionais ou mentais aparentes em uma pessoa, então existe evidência de que não existe apenas a perda da alma, mas também uma energia negativa intrusa. Extrair essa energia negativa e restaurar a alma através do processo de resgate de alma promove sentimentos de plenitude e felicidade.

Quando uma pessoa parou de cantar, os nativos percebiam que era necessário um resgate de alma. Com a restauração da integridade da alma, a pessoa cantaria novamente. Em uma cultura xamânica, o cuidado da alma faz parte da existência diária. Eu acredito que é por isso que essas culturas são notavelmente contentes, felizes e livres de crime.

Pessoas que estão inteiras ou se sentem bem consigo mesmas lidam com os altos e baixos da vida de uma maneira sadia. Quando as pessoas se sentem com medo, ameaçadas ou fragmentadas, suas reações à vida são extremamente diferentes daquelas que se sentem confiantes, otimistas e completas. Em nossa cultura, temos muito pouca experiência em manter confiança e otimismo. Nosso sistema cultural é baseado em uma hierarquia do ganha-perde. Alguém está sempre ganhando enquanto outro está perdendo. Nas culturas xamânicas, esse fenômeno ganha / perde é visto como roubo de alma, ou roubar o poder pessoal de alguém.

Muitas pessoas roubam propositalmente o poder pessoal dos outros. Uma pessoa pode ser a vítima deste roubo em qualquer fase da vida, mas muitas vezes acontece com as crianças, especialmente se forem criadas com pais autoritários, controladores ou necessitados. Os pais realmente roubam o poder de seus filhos. Uma troca resultante de poder ocorre se uma pessoa é abusada de qualquer forma: emocional, fisica, sexual ou mentalmente. O dominado perde energia para o agressor. As crianças são alvos fáceis de controlar e extremamente vulneráveis ao roubo de almas. A perda de alma resultante deixa um vazio que é preenchido por energia negativa (geralmente sentimentos de indignidade) e o indivíduo carrega essa energia por toda a vida, ou até que as partes da alma perdidas possam ser recuperadas.

Se o cuidado com a alma não está embutido no sistema da cultura, o resultado é uma sociedade de pessoas feridas. Sentimentos de indignidade podem levar a todos os tipos de comportamentos disfuncionais e atitudes que predominam na sociedade. Esses sentimentos de falta e vazio podem levar gerações para se curar, mas uma vez que os padrões sejam reconhecidos, esforços podem ser feitos para a cura. Descobri em minha própria pesquisa que a principal questão de aconselhamento para a maioria das pessoas é a questão da indignidade. As pessoas precisam ser genuinamente amadas e conectadas a um poder superior. Uma vez que o roubo da alma ocorra, um esforço deve ser feito para recuperá-la.

Os costumes culturais e familiares frequentemente criam estruturas hierárquicas de gênero, que estabelecem o domínio masculino. O resultado é uma perda socialmente reforçada do poder pessoal por um falso senso de ordem social. Uma música country como “Stand by Your Man” é um exemplo de um sistema de controle baseado em gênero que sugere posições “apropriadas” de poder nos relacionamentos. As mulheres foram ensinadas a doar seu poder pessoal ao gênero masculino para encontrar amor ou aceitação. Outros exemplos desse sistema de crenças abundam em nossa cultura, mas no amor verdadeiro e na aceitação, a pessoa não entrega sua alma. O vazio causado pelo envolvimento nesse comportamento pode ter efeitos extremamente adversos.

Sobre a autora:
Jan Engels-Smith já realizou mais de 3.000 recuperações de almas e foi vista como uma especialista em seu campo. É autora, praticante xamânica, mestre em Reiki, conselheira profissional licenciada, especialista em dependência química, conselheira em matrimônio e família, hipnoterapeuta e curandeira de reconexão. Fundadora da LightSong School of Shamanic Studies. (Tradução livre de Tatiana Menkaiká)